A análise de dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023 revela uma realidade preocupante no que diz respeito à proporcionalidade racial em intervenções policiais. Os números indicam que indivíduos negros, englobando pessoas pretas e pardas, enfrentam uma desproporção significativa no que concerne à violência policial quando comparados aos brancos.
Esta desigualdade é confirmada não apenas pelos altos índices de vítimas negras, que compreendem 82,7% do total em 2023, mas também através da taxa de mortalidade que é substancialmente maior entre esse grupo. As estatísticas evidenciam não só uma questão de segurança pública, mas também um grave problema de racialidade nas práticas policiais.
Qual é a Probabilidade de Pessoas Negras Serem Mortas em Intervenções Policiais?

Segundo o mesmo anuário, a probabilidade de pessoas negras serem mortas por intervenções policiais é 3,8 vezes maior em relação às pessoas brancas. Esse dado coloca em perspectiva a discussão sobre a imparcialidade e os protocolos de ações de segurança, levantando questionamentos sobre racismo institucional e pré-concepções nas abordagens policiais.
Dados Revelam Alta Incidência de Mortes Durante Intervenções
No ano de 2023, foram registradas um total de 6.393 mortes decorrentes de intervenções policiais, apesar de uma ligeira redução em comparação ao ano anterior. Mais alarmante ainda é que 87% dos indivíduos mortos nessas circunstâncias eram negros, uma estatística que reforça a necessidade de revisões profundas nas políticas de segurança pública.
Impacto na Juventude Negra
A faixa etária mais afetada pelas mortes em intervenções policiais concentra-se entre jovens de 12 a 29 anos, representando 71,7% das vítimas. Essa concentração de jovens negros entre as vítimas associa-se a longo prazo com impactos socioeconômicos e emocionais profundos nas comunidades afetadas.
O Anuário ainda expõe que a taxação de mortalidade por intervenção policial em pessoas negras é de 3,5 a cada 100 mil, enquanto para os brancos é de apenas 0,9 por 100 mil, sublinhando uma discrepância de 289% a favor das vítimas brancas. Estes dados sugerem um alarmante viés racial que necessita ser abordadamente e corrigido nas estratégias de segurança pública brasileira.
É evidente que, para mudar esse panorama, medidas intensivas de treinamento, conscientização e fiscalização devem ser implementadas nas forças policiais, visando desmantelar qualquer forma de preconceito racial enraizado nas operações diárias. A garantia de que a segurança pública seja exercida de maneira justa e igualitária é fundamental para uma sociedade democrática e civilizada.

