Na última sexta-feira, o cenário musical brasileiro despediu-se de um dos seus maiores ícones, Laércio de Freitas. O maestro e pianista faleceu em São Paulo, aos 83 anos, deixando um legado de inovação e dedicação à música. Segundo informações divulgadas por sua filha, Thalma de Freitas, em suas redes sociais, Laércio enfrentava um período de internação devido a uma infecção renal no Hospital da Universidade de São Paulo.
Nascido em Campinas, Laércio iniciou sua jornada musical ainda nos anos 60 após concluir seus estudos no Conservatório Carlos Gomes. Seu talento o levou a trabalhar ao lado de grandes nomes da Bossa Nova e a fazer parte do renomado Tamba Trio. Além de acompanhar famosos como Elza Soares e Clara Nunes, ele também se destacou como arranjador e compositor, colaborando com artistas como Erasmo Carlos.
Qual foi a contribuição de Laércio de Freitas para a música brasileira?

Laércio de Freitas não apenas participou ativamente do desabrochar da Bossa Nova, mas também deixou sua marca como solista e arranjador em várias produções musicais influentes. Seu primeiro álbum solo, “Laércio de Freitas e o Som Roceiro”, lançado em 1972, é até hoje celebrado por sua originalidade e fusão de estilos. Conhecido pela sua habilidade ímpar ao teclado, Laércio também teve uma participação memorável no álbum “Quem é Quem” de João Donato em 1973.
Uma Nova Direção na Carreira
Durante a década de 80, Laércio decidiu expandir seus horizontes e dedicar-se à regência, campo no qual ganhou reconhecimento internacional. O artista foi maestro arranjador da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, trazendo um novo olhar para as composições clássicas e contemporâneas. Esta decisão não só ampliou as fronteiras de sua carreira, mas também enriqueceu o repertório de orquestras brasileiras.
Laércio de Freitas e Sua Versatilidade Artística
Além de sua carreira na música, Laércio mostrou seu talento na televisão brasileira. Ele foi personagem no Nick Bar na novela “Mulheres Apaixonadas” de 2003, onde sua performance como músico adicionou profundidade e realismo ao ambiente dramático da obra de Manoel Carlos. Essa capacidade de transitar entre diferentes frentes artísticas apenas solidifica sua versatilidade e genialidade.
A notícia de seu falecimento foi oficialmente confirmada pelo Ministério da Cultura, que emitiu uma nota expressando profundo pesar. “Laércio de Freitas dedicou sua vida à popularização da música erudita e à reinvenção dos padrões musicais no Brasil, contribuindo de modo indefectível para o enriquecimento cultural do país”, afirmou o comunicado. O velório aconteceu no cemitério da Vila Alpina, recebendo amigos, familiares e admiradores de sua obra para prestar as últimas homenagens.
O Brasil perde mais um de seus grandes artistas, mas o legado de Laércio de Freitas permanecerá vivo nas notas de cada música que ele tocou e em cada coração que ele influenciou com sua arte.

