A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tomou uma decisão impactante para beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em relação à devolução de valores de benefícios previdenciários. A medida esclarece que, em casos onde benefícios foram recebidos por decisões liminares posteriormente revogadas, a devolução pode ocorrer no próprio processo onde a decisão inicial foi concedida.
Essa atualização é um complemento ao entendimento do tema 692 da repercussão geral e visa trazer mais clareza sobre os procedimentos de devolução de valores recebidos indevidamente. A decisão tem impacto direto nos processos judiciais envolvendo o INSS, minimizando conflitos e divergências de interpretação em instâncias inferiores.
Quais são os pontos principais dessa decisão do STJ?

A decisão atende a ajustes necessários na tese 692, abordando a possibilidade de devolução de valores recebidos por meio de tutela antecipada em casos onde os benefícios previdenciários foram revogados. O STJ observou que o INSS apontava falhas na tese original, que não esclarecia a devolução dentro dos próprios autos do processo, o que poderia gerar interpretação diversa em julgamentos.
A nova redação da tese afirma que, quando a tutela final é reformada, o autor deve devolver os valores recebidos. A devolução pode ocorrer via desconto mensal, limitado a 30% do valor do benefício ativo, segundo o artigo 520, inciso II, do Código de Processo Civil de 2015. Isso assegura que a devolução seja realizada de forma justa e proporcional ao beneficiário.
Como funciona a devolução de valores previdenciários?
Com a atualização, a devolução de valores pagos indevidamente ganha padronização. Quando um segurado recebe um benefício através de decisão liminar posteriormente revogada, ele deve devolver o valor recebido. Esta devolução é feita através de descontos mensais, limitados a 30% de um benefício ativo, permitindo que o segurado mantenha parte da renda mensal.
A devolução na mesma ação em que a liminar foi concedida evita a abertura de novos processos judiciais, simplificando o procedimento e reduzindo o tempo de tramitação dos casos.
Quais são as consequências para o segurado e o INSS?
Para o INSS, a decisão facilita a execução dos valores devidos, evitando novos processos judiciais e permitindo a execução diretamente nos autos, o que pode diminuir a quantidade de ações judiciais. Para os segurados, a limitação de 30% do benefício ativo preserva a renda mensal necessária para sua subsistência, além de trazer previsibilidade e clareza sobre seus direitos e deveres.
A nova regra busca diminuir a insegurança jurídica para os segurados, permitindo-lhes entender melhor as condições e processos relacionados aos seus benefícios previdenciários.
Quais são as perspectivas futuras para a Justiça brasileira?
Com esta atualização, o STJ estabelece um novo parâmetro nos casos de devolução de valores previdenciários, o que pode influenciar outras áreas do Direito Previdenciário. Esta decisão visa reforçar um sistema jurídico mais eficiente e transparente, contribuindo para a credibilidade do sistema previdenciário e confiança dos beneficiários.
O tema 692 agora atualizado, representa um marco no tratamento das devoluções de benefícios previdenciários, buscando equilibrar o cumprimento da lei e a proteção do segurado. Este passo dado pelo STJ pode ter um impacto duradouro na forma como questões de devoluções previdenciárias são tratadas no Brasil, beneficiando tanto o INSS quanto os segurados.

