A expectativa é grande entre os aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para o julgamento marcado entre os dias 23 a 30 deste mês no Supremo Tribunal Federal (STF). O tema central? A reavaliação da revisão da vida toda, um ponto delicado e de extrema importância para muitos segurados.
Esta revisão busca incluir, no cálculo das aposentadorias, os salários recebidos antes de julho de 1994. A controvérsia começou quando decisões anteriores, que excluíam essa possibilidade, foram questionadas com base nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 2.110 e 2.111, que remontam a 1999 e questionam as regras de transição da reforma previdenciária daquela época.
O que é a Revisão da Vida Toda?

A revisão da vida toda tem como objetivo permitir que os trabalhadores que contribuíram para a previdência antes de 1994 possam considerar todos os seus anos de contribuição no cálculo de suas aposentadorias. Isso é visto como uma forma de justiça, uma vez que a regra de transição da reforma da Previdência de 1999 poderia ter sido prejudicial para esses trabalhadores.
O Instituto de Estudos Previdenciários (Ieprev) é um dos maiores apoiadores dessa revisão e ingressou com embargos de declaração, buscando esclarecimentos sobre certas decisões anteriores. Eles defendem a manutenção da validade das ações judiciais já favoráveis aos segurados, fazendo referência à decisão do STF em 2022, que já havia aprovado a tese da revisão no julgamento do Tema 1.102.
Impacto Financeiro da Revisão da Vida Toda: Mito ou Realidade?
O debate em torno da revisão da vida toda inclui preocupações sobre seu impacto financeiro. O governo estima que a adoção dessa revisão poderia gerar um custo significativo para os cofres públicos, na ordem de R$ 480 bilhões ao longo dos anos. No entanto, o Ieprev discorda, apresentando estimativas de que o impacto financeiro seria muito mais modesto, cerca de R$ 3,1 bilhões.
O Ieprev também trouxe à tona o fato de que, até 21 de março deste ano, existiam 102 mil ações válidas relacionadas a essa revisão, muitas das quais envolvem Requisições de Pequeno Valor (RPVs) que somam até 60 salários mínimos. Eles calculam que o custo anual dessas ações variaria entre R$ 210 milhões e R$ 420 milhões, totalizando um impacto ao longo de dez anos de aproximadamente R$ 1,5 bilhão.
Como os Aposentados estão se Mobilizando para esse Julgamento?
Os aposentados estão mostrando forte mobilização em apoio à revisão da vida toda. No último sábado, 17, uma manifestação ocorreu na Avenida Paulista, em São Paulo. Organizada pelas redes sociais, desa forma reuniu pelo menos mil participantes. Este evento sublinha a importância e o impacto do julgamento iminente.
João Badari, representante do Ieprev, está esperançoso quanto ao resultado da nova avaliação pelo STF. Ele menciona que a Corte já havia validado o conceito anteriormente, e espera que as instâncias inferiores continuem a seguir essas diretrizes, favorecendo os aposentados.
O que Aguardamos do Julgamento?
A decisão do STF sobre a revisão da vida toda é aguardada com grande expectativa não apenas pelos aposentados, mas por diversas entidades previdenciárias e parlamentares que acompanham a discussão. A medida, caso aprovada, pode representar uma reviravolta significativa para muitos segurados que esperam por uma correção justa em seus benefícios.
- Milhares de aposentados podem ser beneficiados.
- Discrepâncias nas estimativas de custo entre governo e o Ieprev.
- Mobilização crescente dos aposentados em defesa de seus direitos.
- Envolvimento de parlamentares e instituições previdenciárias.
Se aprovada, a revisão da vida toda pode significar um ajuste justo e necessário para muitos aposentados do INSS. A decisão do STF, portanto, é aguardada com grande atenção, dado seu potencial impacto nas finanças públicas e na qualidade de vida dos aposentados.

