Paracetamol e dipirona são dois dos analgésicos mais utilizados no Brasil, ambos conhecidos por suas eficácias na luta contra dores e febres. No entanto, apesar de sua popularidade, ambos carregam controvérsias significativas relacionadas aos riscos de saúde que podem oferecer, especialmente quando usados incorretamente.
Ambos os medicamentos estão envolvidos em uma série de debates sobre suas seguranças. Enquanto a dipirona é banida em alguns países por suspeitas de causar agranulocitose, o paracetamol é criticado pelos riscos de lesões hepáticas que pode causar em casos de overdose.
Entenda o histórico de problemas da Dipirona

A controvérsia sobre a dipirona iniciou devido a estudos que sugeriam uma possível ligação com a agranulocitose, uma condição séria que reduz drasticamente os glóbulos brancos no sangue, comprometendo o sistema imunológico. Segundo o farmacêutico Jorge Willian Nascimento, grande parte dessa fama negativa vem de estudos com metodologias questionáveis.
Ele observa que muitas das pesquisas originais não distinguiram devidamente entre a dipirona e compostos similares, o que gerou confusão e resultados possivelmente enviesados. No entanto, pesquisas subsequentes, como o Estudo de Boston, mostraram uma incidência muito menor de agranulocitose do que a inicialmente reportada, reabrindo debates sobre a proibição da substância.
Por que a Dipirona permanece popular no Brasil?
No Brasil, onde a dipirona permanece legal e amplamente utilizada, os casos de agranulocitose são extremamente raros, o que reforça a posição de que as taxas dessa condição podem variar significativamente entre diferentes populações. Isso pode estar ligado a variabilidades genéticas que influenciam a forma como diferentes populações respondem à medicação.
Além disso, Nascimento aponta que analisar correlações entre o uso de dipirona e a agranulocitose é complexo, pois os sintomas iniciais desta condição, como febre e dor de garganta, são precisamente condições para as quais a dipirona é frequentemente prescrita, criando um potencial fator de confusão nas estatísticas.
Os riscos do Paracetamol
Considerando os riscos associados ao paracetamol, especial atenção deve ser dada à sua capacidade de causar danos hepáticos significativos em casos de superdosagem. Essa é uma preocupação que levou países como os Estados Unidos e a Austrália a implementar regulamentações mais estritas em relação às dosagens máximas permitidas e à comercialização do medicamento.
O fígado desempenha um papel crucial na metabolização do paracetamol, transformando uma pequena fração deste em NAPQI, uma substância química tóxica. Em doses seguras, o fígado consegue neutralizar essa toxicidade. No entanto, uma superdosagem pode levar a uma concentração elevada de NAPQI, resultando em danos severos ao fígado e até falência hepática.
Conclusão: Qual dos dois é mais seguro?
Em resumo, tanto a dipirona quanto o paracetamol são considerados seguros quando utilizados dentro das dosagens recomendadas. A dipirona, especialmente no contexto brasileiro, apresenta riscos baixos e é um eficaz combatente contra dores e febres. O paracetamol, por sua vez, também é eficaz, mas requer cautela adicional para evitar a superdosagem, dada sua toxicidade hepática em altas concentrações.
Todavia, é crucial que os consumidores sigam as orientações médicas e estejam cientes dos riscos potenciais associados a esses medicamentos, para uso seguro e eficaz. A educação e informação podem ser as melhores ferramentas para prevenir complicações de saúde e garantir que os benefícios dos analgésicos sejam aproveitados sem riscos desnecessários.

